domingo, 30 de agosto de 2009


Há algum tempo ministrei um curso sobre Escatologia (profecia bíblica) no Chafer Theological Seminary (Seminário Teológico Chafer, na cidade de Orange, California/EUA). Como o preterista* Ken Gentry mora perto do Seminário Chafer, eu o convidei a vir para falar à classe. Apesar do Seminário Chafer ser uma escola dispensacionalista, achei que seria saudável expor os alunos a uma posição oposta aos nossos pontos de vista, através da visita do Dr. Gentry. O Dr. Gentry foi bastante cortês em vir e nos dar uma apresentação de sua visão preterista do livro de Apocalipse.

Levantando a questão

Durante um tempo de perguntas, indaguei-lhe sobre a relação entre Zacarias 12-14 e o preterismo. Primeiro lhe perguntei se, como preterista, ele acreditava que Zacarias 12-14 era uma passagem paralela ao “Sermão Profético” de Jesus (Mt 24-25; Mc 13; Lc 21.5-36). Ele disse que concordava. Observei, então, que Zacarias fala de “todos os povos” (Zc 12.2), “contra ela, (Jerusalém) se ajuntarão todas as nações da terra” (Zc 12.3), e “eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém” (Zc 14.2). Argumentei que esses versículos não pareciam estar falando dos romanos em 70 d.C. Mais adiante, Zacarias continua dizendo: “Naquele dia o Senhor protegerá os habitantes de Jerusalém” (Zc 12.8) e: “Então sairá o Senhor e pelejará contra as nações, como pelejou no dia da batalha” (Zc 14.3). Concluí que tudo isso não se encaixa com o que aconteceu a Jerusalém em 70 d.C., quando os romanos conquistaram Israel. Finalmente, a passagem diz que o Senhor salvará Israel naquele dia (Zc 14.3), ao passo que, em 70 d.C., o Senhor julgou Israel como está escrito em Lucas 21.20-24. Perguntei ao Dr. Gentry: “Como os preteristas podem dizer que Zacarias fala de 70 d.C. se, nessa passagem, o Senhor está salvando o Seu povo?”

Posição preterista

É importante lembrar que o Dr. Gentry é um dos mais importantes preteristas do planeta. Sua resposta, em resumo, foi dizer que a Igreja havia substituído Israel. Isso é parecido com o que o falecido David Chilton disse em seu comentário preterista sobre o Apocalipse:

Outra passagem paralela a essa é Zacarias 12, que retrata Jerusalém como um cálice de tontear para todos os povos (Zc 12.2; cf. Ap 14.8-9), um braseiro ardente que consumirá os pagãos (Zc 12.6; Ap 15.2). A ironia é que no Apocalipse, como temos visto repetidamente, o próprio Israel do primeiro século tomou o lugar das nações pagãs nas profecias, sendo consumido no braseiro ardente – o Lago de Fogo – enquanto a Igreja, tendo passado pelo holocausto, herda a salvação.[1]

“Naquele dia o Senhor protegerá os habitantes de Jerusalém” (Zc 12.8).

Interpretando o texto

Falei ao Dr. Gentry que sua resposta não passava de “divagação teológica”. Ele havia chegado a uma mera conclusão teológica sobre o assunto, mas tinha falhado em dar uma interpretação textual. Perguntei-lhe objetivamente: “O senhor pode dar uma interpretação textual dessa passagem em Zacarias?” Ele respondeu: “Não”.

Os preteristas não conseguem dar uma interpretação textual de Zacarias 12-14 porque acreditam que a passagem se refere ao julgamento de Deus sobre Israel através dos romanos em 70 d.C. – o que é seu primeiro erro. Greg Beale diz: “Zacarias 12 não profetiza o julgamento de Israel e, sim, a sua redenção”.[2] Zacarias 12-14 fala claramente de um tempo quando Israel será salvo pelo Senhor de um ataque de “todas as nações da terra”, não somente dos romanos – e esse é o segundo erro. Nesse contexto, evidentemente, “Israel” tem de ser uma referência a Israel (e não à Igreja). Como essa é a verdade, o evento de Zacarias 12-14 ainda não aconteceu na História. Isso significa que se trata de um evento futuro. O Dr. Beale faz um comentário sobre Daniel que se aplica também a Zacarias:

O ônus da prova recai sobre os preteristas, para que forneçam um raciocínio exegético, tanto no que diz respeito a trocarem uma nação pagã por Israel como objeto principal do julgamento final de Daniel, como por limitarem o julgamento final principalmente a Israel e não o aplicarem universalmente.[3]

A posição textual (futurista, bíblica)

Tanto os preteristas quanto os futuristas (como eu) acreditam que em Lucas 21.20-24 Jesus profetizou a destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C. Usando Lucas 21.20-24 como base, observe os contrastes entre essa passagem e Zacarias 12-14, conforme observado por Randall Price:

Contrastes entre Lucas 21.20-24 e Zacarias 12-14

Lucas 21.20-24:

  • Cumprimento passado: “levados cativos para todas as nações” (Lc 21.24).
  • Dia da devastação de Jerusalém (Lc 21.20).
  • Dia de vingança contra Jerusalém (Lc 21.22).
  • Dia de ira contra o povo judeu (Lc 21.23).
  • Jerusalém pisada por gentios (Lc 21.24).
  • Tempo de domínio dos gentios sobre Jerusalém (Lc 21.24).
  • Grande aflição na terra (Lc 21.23).
  • Israel cairá a fio da espada (Lc 21.24).
  • Jerusalém destruída (70 d.C.) “para se cumprir [no futuro] tudo o que está escrito” [em relação ao povo judeu] (Lc 21.22).
  • A desolação de Jerusalém tem um limite de tempo:“até que os tempos dos gentios se completem” (Lc 21.24). Isso significa que haverá um tempo de restauração para Jerusalém.
  • O Messias virá com poder e grande glória para ser visto pelo povo judeu somente depois “destas coisas” – os eventos de Lucas 21.25-28 – que são posteriores [futuros] aos acontecimentos de Lucas 21.20-24.

Zacarias 12-14:

  • Cumprimento escatológico – “naquele dia” (Zc 12.3,4,6,8,11; 13.1-12; 14.1,4,6-9).
  • Dia de livramento para Jerusalém (Zc 12.7-8).
  • Dia de vitória para Jerusalém (Zc 12.4-6).
  • Dia de ira contra as nações gentias (Zc 12.9; 14.3,12).
  • Jerusalém transformada por Deus (Zc 14.4-10).
  • Tempo de submissão dos gentios em Jerusalém (Zc 14.16-19).
  • Grande libertação para a terra (Zc 13.2).
  • As nações trarão suas riquezas para Jerusalém (Zc 14.14).
  • Jerusalém salva e redimida, para que tudo que está escrito [em relação ao povo judeu] possa se cumprir (Zc 13.1-9; Rm 11.25-27).
  • O ataque a Jerusalém é a ocasião para a destruição final dos inimigos de Israel, encerrando, assim, “o tempo dos gentios” (Zc 14.2-3,11).
  • O Messias virá em grande poder e glória durante os eventos da batalha (Zc 14.4-5).[4]

Em razão das diferenças apontadas entre as passagens, é impossível harmonizar Zacarias 12-14 com eventos que já aconteceram. Trata-se de uma tentativa que agride a lógica. Mas algumas das maiores sumidades do preterismo continuam insistindo nesse absurdo.

Alto-relevo no Arco de Tito que mostra os romanos conduzindo os utensílios
do templo em triunfo (70 d.C.).

Israel e as nações

O preterista Gary DeMar recentemente tentou uma interpretação de Zacarias 14.[5] Como era de se esperar, ele disse que Zacarias 14 “descreve eventos que antecedem a devastação e, inclusive, a própria destruição de Jerusalém em 70 d.C.”[6] DeMar não consegue mostrar a destruição de Jerusalém no texto de Zacarias. Ele interpretou a passagem de uma forma que eu chamaria de abordagem temática. Ele “pulou” e “dançou” em torno da passagem, desnudando-a do seu contexto. Pior ainda, ele a reembalou num falso contexto. Analisando apenas Zacarias 14, DeMar falha em oferecer qualquer evidência de que Deus está submetendo Israel ao juízo, como é claramente perceptível em Lucas 21.20-24. Na verdade, Deus está julgando as nações, pois o texto diz: “Procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém” (Zc 12.9), e: “Eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém... sairá o Senhor e pelejará contra essas nações” (Zc 14.2-3). Ao contrário do que diz DeMar, Deus está defendendo (Zc 12.8) e salvando (Zc 14.3) Israel dessas nações. Exatamente como em Mateus 24, em nenhum lugar o texto fala do Senhor vindo em julgamento contra o Seu povo. Tanto Zacarias quanto Mateus estão falando da salvação de Israel (Mt 24.31), e é por isso que o cumprimento das profecias de ambas as passagens será no futuro.

Conclusão

A única maneira que os preteristas encontram para lidar com Zacarias 12-14 é não considerar as palavras e frases no seu contexto literário, mas simplesmente declarar – como fizeram Chilton e Gentry – que a Igreja substituiu Israel. O texto das Escrituras deve ser a base sobre a qual desenvolvemos a sã teologia. Ao invés disso, os preteristas impõem suas crenças teológicas falsas sobre a Palavra infalível de Deus. Walt Kaiser é muito feliz ao fazer o seguinte comentário sobre o texto de Zacarias:

Em nenhum outro capítulo da Bíblia a interpretação de “Israel” é mais importante do que em Zacarias 14. Dizer que “Israel” significa a “Igreja”, como muitos têm feito, levaria a uma grande confusão nesse capítulo e no final do capítulo 13. Por exemplo, Zacarias 13.8-9 afirma que dois terços de toda a terra (Israel) morrerão, mas poucos se arriscam a dizer que dois terços da Igreja sofrerão um massacre no dia final. É muito claro que “Israel” se refere à unidade geopolítica atualmente conhecida como o Estado de Israel.[7]

A Palavra de Deus exorta Sua Igreja a viver na expectativa de um futuro seguro e na certeza da vitória. Mantendo essa perspectiva, os crentes podem viver confiantes no presente por causa do futuro. O passado é igualmente importante. No entanto, uma falsa visão do passado roubará do crente, no presente, a esperança de que precisamos para viver corajosamente para o nosso Senhor. Maranata! (Thomas Ice -http://www.beth-shalom.com.br)

Notas:

  1. David Chilton, The Days of Vengeance: An Exposition of the Book of Revelation (Fort Worth: Dominion Press, 1987), pp. 385-86.
  2. G.K. Beale, The Book of Revelation: A Commentary on the Greek Text (Grand Rapids: Eerdmans, 1999), p. 26.
  3. Beale, Revelation, p. 45.
  4. Randall Price, Charting the Future (San Marcos, Tex.: gráficos com publicação privada), n.p.
  5. Gary DeMar, Last Days Madness: Obsession of the Modern Church(Atlanta, American Vision: 4th edition, 1999), pp. 437-43.
  6. DeMar, Madness, p. 437
  7. Walter C. Kaiser, The Communicator’s Commentary: Micah-Malachi(Dallas: Word, 1992), p. 417.

* Os preteristas ensinam que a maior parte, ou até mesmo todas as profecias já se cumpriram. Eles dizem que as principais porções proféticas das Escrituras (como o Sermão Profético e o livro de Apocalipse) se cumpriram nos eventos relacionados à destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d. C.

Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, Fevereiro de 2002.

O Anti-Semitismo


O Anti-Semitismo

O anti-semitismo tem afligido a humanidade por milênios. Pergunte aos anti-semitas por que eles odeiam o povo judeu e você logo ouvirá uma grande número de desculpas desgastadas, ilógicas e que não podem ser comprovadas com fatos. Para os cristãos que crêem na Bíblia, o anti-semitismo é tão estranho às Escrituras que não devemos dar-lhe acolhida nem por um momento. Mesmo reconhecendo a oposição dos judeus ao Evangelho, o apóstolo Paulo nos lembra claramente que não temos o direito de odiar o povo escolhido de Deus. Ele escreveu: “Quanto ao evangelho, são eles inimigos por vossa causa; quanto, porém, à eleição, amados por causa dos patriarcas” (Romanos 11.28).

Além da coleção de desculpas sem fundamento e muitas vezes absurdas apresentadas pelas pessoas para justificarem seu ódio ao povo judeu, existe outra explicação para a existência do anti-semitismo. Trata-se de algo que realmente pode ser encontrado na Bíblia. Mesmo assim, esse texto bíblico não servirá para confortar os anti-semitas.

A passagem pertinente das Escrituras é Apocalipse 12.1-6: “Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça, que, achando-se grávida, grita com as dores de parto, sofrendo tormentos para dar à luz. Viu-se, também, outro sinal no céu, e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas. A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse. Nasceu-lhe, pois, um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. E o seu filho foi arrebatado para Deus até ao seu trono. A mulher, porém, fugiu para o deserto, onde lhe havia Deus preparado lugar para que nele a sustentem durante mil duzentos e sessenta dias”.

Os personagens envolvidos são a mulher, seu filho e o dragão. Ao comparar a descrição da mulher com o sonho de José (Gn 37.9-10), podemos ver que ela representa Israel. O filho, obviamente, é Jesus, um judeu de nascimento. O dragão, claro, é Satanás (veja Ap 12.9).

O dragão tenta devorar o filho da mulher, mas não consegue fazê-lo porque a criança tem sua vida milagrosamente preservada, até ao ponto de ser levada para o céu (a ascensão). A passagem continua: “Quando, pois, o dragão se viu atirado para a terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho varão; e foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que voasse até ao deserto, ao seu lugar, aí onde é sustentada durante um tempo, tempos e metade de um tempo, fora da vista da serpente. Então, a serpente arrojou da sua boca, atrás da mulher, água como um rio, a fim de fazer com que ela fosse arrebatada pelo rio. A terra, porém, socorreu a mulher; e a terra abriu a boca e engoliu o rio que o dragão tinha arrojado de sua boca. Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar com os restantes da sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus; e se pôs em pé sobre a areia do mar” (Ap 12.13-17).

Frustrado em sua tentativa de destruir o Salvador, Satanás dirige sua ira contra a mulher (Israel). De acordo com essa passagem, ele fará tudo o que puder para destruí-la. No final, ele sairá derrotado, mas durante o processo fará tanto estrago quanto puder. Essa passagem nos fornece a explicação melhor – e bíblica – para a existência do anti-semitismo. De forma simples, poderíamos dizer: o ódio a Israel tem sua origem em Satanás.

Satanás, na verdade, usa muitas máscaras
em sua tentativa de opor-se a Deus.


Odiar o povo judeu é participar do plano que Satanás estabeleceu contra ele. Outras explicações, mesmo as que defendem o povo judeu, ignoram esse ensino claro das Escrituras. Opor-se aos judeus é fazer a obra do Diabo.

A visão panorâmica que nos é mostrada em Apocalipse 12 apresenta o conflito de todas as eras: o plano redentor de Deus, centrado no Messias, e o plano satânico de opor-se a ele com todo o seu poder. A Bíblia toda poderia ser resumida nesse capítulo. A derrota certa e inevitável do Diabo não diminui seu desejo de manter a oposição. Israel, inegavelmente, está no centro desse conflito.

Mas como Satanás executa seu plano maligno? Outra passagem do Novo Testamento nos dá a resposta. Satanás sabe que precisa atrair as pessoas ao invés de repeli-las. Caso se apresentasse com a imagem caricata familiar, de uma criatura vermelha, com chifres, cascos e cauda, ele faria com que as pessoas se afastassem ao invés de serem atraídas. Assim, ele usa máscaras que lhe dão uma aparência mais benigna que perversa. Pense um pouco a respeito de 2 Coríntios 11.14: “E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz”. Satanás, na verdade, usa muitas máscaras em sua tentativa de opor-se a Deus. Algumas podem, inclusive, parecer nobres e não malévolas.

As Cruzadas

Quando os cruzados finalmente chegaram a Jerusalém e derrubaram suas muralhas em 1099, eles reuniram os judeus em sua sinagoga e colocaram fogo nela.

Para um observador casual da história, as Cruzadas talvez lembrem imagens de cavaleiros que deixaram para trás damas virtuosas e se engajaram em nobres missões de combate ao mal, em nome de Deus. Um exame mais minucioso das Cruzadas, contudo, revela uma realidade completamente diferente.

As Cruzadas foram iniciadas com o que parecia ser um propósito nobre – reconquistar a Terra Santa das mãos dos infiéis muçulmanos. Durante o processo, os cruzados massacraram quase 100.000 judeus. Havia uma grande distância entre a França e a Terra Santa em 1098, o ano em que a Primeira Cruzada teve início. Além disso, durante meses não foi encontrado nenhum muçulmano. Porém, quando os exércitos marchavam pelo vale do Reno, depararam-se com muitas comunidades judaicas importantes. “Por que esperar para encontrar os inimigos do cristianismo no Oriente Médio”, pensaram eles, “se há outros inimigos bem aqui, perto de nós?” Por isso, eles atacaram e dizimaram as comunidades judaicas que não tinham como se defender.

Tais atrocidades foram cometidas em toda a Europa. Quando os cruzados finalmente chegaram a Jerusalém e derrubaram suas muralhas em 1099, eles reuniram os judeus em sua sinagoga e colocaram fogo nela. Portanto, independentemente do que a palavra “cruzada” significa para os cristãos quando usada como sinônimo de encontros evangelísticos, ela tem uma conotação completamente diferente para os judeus. Essa é a história de Satanás usando uma máscara de cruzado.

Os Monarcas Espanhóis

Os nomes Fernando e Isabel, monarcas da Espanha no final do século XV, freqüentemente lembram imagens das corajosas viagens de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo. Mesmo sendo verdade que esses monarcas financiaram tais viagens, eles também tiveram um outro papel na história. Fernando e Isabel eram reis católicos fanáticos e deram sustentação à Inquisição Espanhola.

Ao mesmo tempo em que expulsavam os mouros da Espanha, eles também queimavam na estaca a evangélicos e judeus, acusados de envolvimento em práticas diferentes das ensinadas por Roma. No dia 1º de janeiro de 1492, quando os monarcas entraram vitoriosos em Granada – o último local de resistência dos mouros – eles também assinaram o Édito de Expulsão da grande e próspera comunidade judaica do país. O édito tornou-se efetivo em agosto daquele mesmo ano. Os historiadores contam: na época em que Colombo partiu para o mar, dezenas de navios enchiam o porto, repletos de refugiados judeus que preferiam fugir da Espanha a se converterem ao catolicismo.

Por fim, cerca de 150.000 judeus espanhóis abandonaram sua terra natal ou simularam converter-se ao catolicismo para salvar suas vidas e pertences. Segundo uma cantiga popular, “Colombo navegou pela maré bravia”. Poderíamos acrescentar: “Fernando e Isabel perseguiram a raça judia”. Essa é a história de Satanás usando a máscara dos famosos monarcas espanhóis.

O czar Nicolau II.

Na Rússia

A lista de máscaras satânicas poderia encher vários livros. Durante o século XIX, as maiores comunidades judaicas do mundo se encontravam na Europa Oriental, especialmente na Polônia e na Ucrânia. Os czares que governavam o Império Russo eram devotos da Igreja Ortodoxa Russa. Desde 1881 até a segunda década do século XX, eles patrocinaram uma série de “pogroms” – ataques violentos de camponeses e cossacos contra as comunidades judaicas. O objetivo declarado de um desses czares era que um terço dos judeus se convertesse, um terço deixasse o país e um terço morresse.

Na época da I Guerra Mundial, dois milhões de judeus russos desembarcaram sem um tostão no mundo ocidental, especialmente nos Estados Unidos. Os pioneiros judeus que chegaram à Terra Prometida eram judeus russos buscando uma vida melhor do que os sofrimentos sob o governo dos czares. Nessa ocasião, Satanás apareceu usando a máscara do Império Russo.

Na Alemanha Nazista

Infelizmente, hoje em dia um número crescente de pessoas admira o mal cometido por Hitler e seu Terceiro Reich entre 1933 e 1945. A loucura satânica do nazismo causou tanta devastação no mundo inteiro que podemos apenas classificá-la como um dos piores crimes da história. O povo judeu estava no centro daquele horror. Freqüentemente se diz que morreram mais não-judeus do que judeus durante esse período. Mesmo que isso seja verdade, não serve para diminuir o horror sem igual do Holocausto. Nele, de maneira cruel e sistemática, foram selecionadas e exterminadas seis milhões de pessoas apenas por serem judias. O que faz do Holocausto algo singular é que Hitler não matou os judeus por suspeitar que eram comunistas ou que estavam envolvidos em algum movimento político traidor. Ele os matou mesmo sabendo que se tratava de cidadãos alemães fiéis ao Estado. Ele os assassinou simplesmente porque haviam nascido judeus. Para as pessoas que viveram nos primeiros dias daquela insanidade, o número crescente de restrições impostas aos judeus alemães era defendido com o mais nobre dos propósitos: o nacionalismo.

O discurso foi simples. Era necessário encontrar um “bode expiatório” sobre o qual pudesse ser colocada a responsabilidade da derrota sofrida na “Grande Guerra”. Hitler convenceu os alemães de que um elemento estranho, os judeus, devia ser responsabilizado. Eles foram acusados de ser “internacionalistas” e não “nacionalistas” fiéis à pátria alemã. Contudo, o povo judeu estava vivendo na Alemanha há 900 anos e até mesmo tinha lutado pelo Kaiser (imperador alemão) na I Guerra Mundial. Muitas pessoas engoliram a mentira de que acabar com os judeus seria o melhor para a nação alemã. Essa é a história de Satanás usando a máscara do nacionalismo na Alemanha nazista.

Hitler não matou os judeus por suspeitar que eram comunistas ou que estavam envolvidos em algum movimento político traidor. Ele os assassinou simplesmente porque haviam nascido judeus.

No Presente

Hoje em dia, o anti-semitismo continua se multiplicando em todo o mundo. Mais uma vez, Satanás está espalhando seu engano. Enquanto os israelenses tentam desesperadamente defender-se do terrorismo islâmico, Satanás está enganando o mundo: ele faz com que todos acreditem que os judeus são os agressores e os muçulmanos, as vítimas.

O apóstolo Paulo nos alertou a respeito dos métodos e artifícios usados por Satanás: “que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios” (2 Co 2.11). Ele também nos incentiva a lutar contra os estratagemas do maligno: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do Diabo” (Ef 6.11).

Pedro também nos alertou sobre as manobras do Diabo: “Sede sóbrios e vigilantes. O Diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1 Pe 5.8-9).

Enquanto o anti-semitismo fica cada dia mais forte, é urgente que consigamos perceber esse plano do Diabo. Conhecer algumas das máscaras que Satanás utiliza em seu ódio ao povo judeu nos ajudará a ficarmos alertas contra os seus esquemas nefastos para impedir também a obra de Deus em nossas vidas. (William C. Varner - Israel My Glory -http://www.beth-shalom.com.br)

Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, novembro de 2002.

Israel Continua um Milagre


Quando as Nações Unidas realizaram a votação histórica que sancionou o ressurgimento do Estado de Israel, em 29 de novembro de 1947, milhões de judeus e cristãos sinceros o viram como um genuíno milagre divino. Uma nação que parecia extinta há séculos voltava a existir. Era um novo começo que surpreendia o mundo.

O povo judeu é o Povo do Livro, Israel é sua Terra Prometida e Jerusalém é a Cidade do Rei. E, um dia, disseram os profetas, haveria uma grande reunião dos exilados judeus espalhados por todo o mundo. Israel retornaria à sua terra – e assim aconteceu. Na foto: Festa dos Tabernáculos diante do Muro das Lamentações.

Na verdade, porém, não se tratava de nenhum recomeço, mas da realização de um sonho que os judeus do mundo inteiro acalentavam desde sua dispersão, após a destruição de Jerusalém pelos romanos, no ano 70 de nossa era. A cada novo ano, quando os judeus realizavam a ceia da páscoa nas mesas espalhadas pelas nações gentias, as vozes se elevavam para entoar as palavras sagradas: No próximo ano em Jerusalém! O sonho não era uma fantasia vã, mas uma esperança firmemente arraigada nas Escrituras.

O povo judeu é o Povo do Livro, Israel é sua Terra Prometida e Jerusalém é a Cidade do Rei. E, um dia, disseram os profetas, haveria uma grande reunião dos exilados judeus espalhados por todo o mundo. Israel retornaria à sua terra – e assim aconteceu.

Os pára-quedistas judeus, ao avistarem, com os olhos cheios de lágrimas, o Muro Ocidental (das Lamentações), na Cidade Velha de Jerusalém, em 7 de junho de 1967, entenderam o significado profundo dessa volta ao lar. O general israelense Moshe Dayan expressou em palavras aquela profunda emoção. Em pé diante do muro, ele disse: “Voltamos para o nosso lugar mais sagrado, para nunca mais partir... Estendemos as mãos para nossos irmãos árabes, no desejo sincero de viver em paz, porém voltamos para Jerusalém e nunca mais sairemos dela.”

Quando o rabino Shlomo Goren, capelão-chefe do exército, tocou a trombeta de chifre de carneiro que tinha trazido consigo até o muro, aquele gesto teve dois significados monumentais: (1) Jerusalém voltara a ser unificada. Depois de quase 2000 anos, ela estava novamente com seu povo. (2) A trombeta, como nos tempos antigos, conclamava os judeus de todo o mundo a voltarem para casa.

Todos esses acontecimentos foram verdadeiros milagres.

A estrada longa e deserta

Dizer apenas que os judeus “sonhavam” com seu retorno não reflete nem de longe a intensidade desse anseio. Há milênios, os filhos e filhas de Abraão têm sido um povo marcado para o extermínio. Eles sofreram nas mãos dos cruzados, inquisidores, perseguidores e defensores das expulsões dos países em que viviam. Eles foram forçados a usar símbolos degradantes que os identificavam como judeus, e passaram pela aflição de serem metidos em guetos abarrotados, onde até mesmo os direitos mais simples lhes eram negados.

Quando o rabino Shlomo Goren, capelão-chefe do exército, tocou a trombeta de chifre de carneiro que tinha trazido consigo até o muro, aquele gesto teve dois significados monumentais: (1) Jerusalém voltara a ser unificada. Depois de quase 2000 anos, ela estava novamente com seu povo. (2) A trombeta, como nos tempos antigos, conclamava os judeus de todo o mundo a voltarem para casa.

Vivendo em ambientes gentios tão hostis, a assimilação teria sido a escolha mais razoável. Mesmo sem um país, uma capital, um templo ou qualquer perspectiva concreta de um futuro nacional, eles resistiram. O sonho continuou vivo – um sonho baseado na esperança de dias melhores para esse povo sitiado.

Então, no século XIX, o impossível começou a acontecer. Embora houvesse judeus em Jerusalém desde a Dispersão, algo quase imperceptível passou a ocorrer. Pequenos grupos de pioneiros judeus começaram a se dirigir para o Oriente Médio. Filantropos, como o barão Edmond James de Rothschild, começaram a comprar terras pantanosas infestadas de malária, que os turcos otomanos consideravam sem valor algum.

Após o infame julgamento do caso Dreyfus em Paris, em 1894 (Alfred Dreyfus, um oficial do exército francês, de origem judaica, foi falsamente acusado, condenado e enviado para a Ilha do Diabo), o movimento começou a tomar forma e corpo. Theodor Herzl, um jornalista judeu assimilado, percebeu os maus presságios para os judeus da Europa. O tapete de boas-vindas estava sendo retirado e tempos difíceis se aproximavam.

Assim, Herzl patrocinou o Primeiro Congresso Sionista, em Basiléia, na Suíça, em 1897. A respeito desse primeiro encontro, Herzl declarou: “Em Basiléia eu fundei o Estado judeu”. O sionismo político declarou seu propósito de estabelecer um Estado judeu na Palestina, inteiramente sancionado pelas leis internacionais.

Embora alguns compartilhassem a paixão de Herzl em voltar para o Oriente Médio, a maioria, como os judeus da antiga Babilônia, preferiu ficar onde estava, declarando-se muito feliz com seu estilo de vida e seu status de judeus europeus. Então veio Adolf Hitler com suas hordas de camisas marrons marchando a passo de ganso. Seis milhões de judeus pagaram o mais alto preço por seu pueril erro de cálculo. Entre as vítimas estava a filha de Herzl, Trude Margarethe, que morreu em 1943 no campo de concentração nazista de Theresienstadt.

Enquanto os judeus europeus do pós-guerra juntavam o que restara de suas vidas estraçalhadas para enfrentar o futuro sem seus entes queridos e amigos, eles começaram a olhar para sua terra ancestral – Israel.

Às 4,30 horas da tarde de 14 de maio de 1948, David Ben-Gurion – que viria a ser o primeiro premiê de Israel – levantou-se no saguão do Museu de Tel-Aviv e declarou: “O Estado de Israel acaba de nascer”. O tão sonhado milagre tornara-se uma realidade nacional.

Às 4,30 horas da tarde de 14 de maio de 1948, David Ben-Gurion – que viria a ser o primeiro premiê de Israel – levantou-se no saguão do Museu de Tel-Aviv e declarou: “O Estado de Israel acaba de nascer”.

Uma questão de sobrevivência

Mais de meio século se passou desde aqueles dias esfuziantes, cheios de sonhos, esperanças e lutas para a construção da nação. Imigrantes judeus vindos de mais de uma centena de países encheram aquela terra com mais gente do que na época de Jesus.

Mas, ao longo desses sessenta e tantos anos, um mundo completamente diferente passou a se desenvolver em torno do pequeno Israel. Os grandes impérios coloniais que constituíram os mandatos para a criação da pátria judaica já não existem mais. A independência das nações árabes fez surgir regimes tirânicos, governados por homens que, assim como Hitler, têm uma obsessão insana de ver o Estado judeu e seu povo completamente eliminados da face da terra. Até mesmo no “civilizado” Ocidente, essas pessoas estão alimentando uma apavorante exibição internacional de ódio, caos e radicalismo.

Quem são esses indivíduos beligerantes? O que os motiva e por que agem de forma tão brutal em sua determinação de atingir pessoas inocentes? A falta de respostas tem deixado muita gente frustrada, desinformada e extremamente confusa.

Por essa razão, tentamos esclarecer as questões relacionadas ao Oriente Médio. Em nossas publicações, buscamos responder algumas dessas perguntas desconcertantes. Esperamos que os leitores tenham uma nova percepção do milagre extraordinário representado pela existência de Israel – milagre que muitos parecem ter esquecido.

Existe realmente um plano por trás de tudo o que aconteceu, está acontecendo e irá acontecer no futuro. Deus, que é soberano, está nos conduzindo a uma inevitável consumação.

Enquanto esquadrinhava os eventos que assolam o mundo de hoje, um amigo meu comentou: “Gostaria que tudo isso já tivesse acabado. Quem dera o Senhor voltasse hoje!” Bem, somos compelidos a acreditar que tudo isso chegará ao fim, talvez muito mais cedo do que imaginamos. O certo é que o último capítulo já foi escrito e nós, juntamente com o remanescente de Israel, estamos do lado vencedor. É o que está escrito na Bíblia. (Elwood McQuaid - Israel My Glory - http://www.beth-shalom.com.br)

Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, julho de 2003.

sábado, 22 de agosto de 2009

As Portas do Inferno Não Prevalecerâo Contra a Igreja de Jesus.


Deus entregou à humanidade o domínio sobre a terra e estabeleceu a teocracia como a forma de governo original deste mundo (Gn 1.26-29). Numa teocracia, o governo divino é administrado por um representante. Deus designou o primeiro homem, Adão, para ser Seu representante. Adão recebeu a responsabilidade de administrar o governo de Deus sobre a parte terrena do Reino universal de Deus.

Pouco tempo depois de ter dado esse poder ao homem, Satanás induziu Adão e Eva a se aliarem a ele em sua revolta contra Deus (Gn 3.1-13). Como resultado, a humanidade afastou-se de Deus e a teocracia desapareceu da face da terra. Além disso, com a queda de Adão, Satanás usurpou de Deus o governo do sistema mundial. A partir de então, ele e suas forças malignas passaram a governar o mundo. Conforme veremos a seguir, muitos fatores revelam essa terrível transição.

O reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível, incentivando o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade.

A Negação da Revelação Divina

O diabo tinha autoridade para oferecer o domínio sobre o sistema do mundo a quem ele quisesse, inclusive a Jesus Cristo, pois essa autoridade lhe tinha sido entregue por Adão (veja Lc 4.5-6). Foi por isso que Jesus chamou Satanás de“príncipe [literalmente, governador] do mundo” (Jo 14.30). João disse que o mundo inteiro jaz no maligno (1 Jo 5.19) e Tiago declara que todo aquele que é amigo do atual sistema mundano é inimigo de Deus (Tg 4.4).

Até este ponto de nossa história, o reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível. Trata-se de um domínio espiritual que incentiva o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. As Escrituras nos ensinam que, no futuro, Satanás irá tentar converter esse domínio espiritual e invisível em um reino político, visível e permanente – dominando o mundo inteiro. Para alcançar seu objetivo, Satanás precisa induzir a humanidade a buscar a unificação sob um governo mundial. Ele também tem de condicionar o mundo a aceitar um governante político supremo que terá poderes únicos e fará grandes declarações a respeito de si mesmo.

Utilizando-se da tendência secular e humanista da Renascença e de algumas ênfases propagadas pelo Iluminismo, o diabo conseguiu minar a fé bíblica de porções importantes do protestantismo e também determinadas crenças do catolicismo romano e da Igreja Ortodoxa. O resultado foi que, no final do século XIX e no início do século XX, o mundo começou a ouvir que a humanidade nunca havia recebido a revelação divina da verdade.

No entanto, o único modo pelo qual a existência de Deus, Sua natureza, idéias, modos de agir, ações e relacionamento com o Universo, com a Terra e com a humanidade podem ser conhecidos é através da revelação divina da verdade. Por isso, a negação dessa revelação fez com que durante o século XX muitas pessoas concluíssem que o Deus pessoal, soberano e criador descrito na Bíblia não existe; ou, se existe, que Ele é irrelevante para o mundo e para a humanidade.

Essa negação da revelação divina da verdade resultou em mudanças dramáticas, que tiveram graves conseqüências na sociedade e no mundo. Em primeiro lugar, ela levou muitas pessoas ao desespero. Deus criou os seres humanos com a necessidade de terem um relacionamento pessoal com Ele, para conhecerem o sentido e propósito supremos desta vida. A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. Esse vazio levou ao desespero e à extinção da perspectiva de alcançar o sentido e propósito supremos desta vida. Satanás, então, ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher esse vazio e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele.

A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas.

A Negação dos Absolutos Morais

A negação da revelação divina da verdade resultou também na negação dos absolutos morais. O argumento mais usado é: se os padrões morais não foram revelados por um Deus soberano que determinou que os indivíduos são responsáveis por suas ações, então os absolutos morais tradicionalmente aceitos foram criados pela humanidade. Assim sendo, uma vez que a humanidade é a fonte desses absolutos, ela tem o direito de rejeitar, mudar ou ignorá-los.

O resultado dessa racionalização falaciosa é que a sociedade acabou testemunhando uma tremenda decadência moral. Ela passou a rejeitar a idéia de que apenas as relações heterossexuais e conjugais são moralmente corretas, passando a desprezar e ameaçar cada vez mais os que defendem essa idéia. Movimentos estão surgindo em todo o mundo para redefinir legalmente o conceito de matrimônio e para forçar a sociedade a aceitar essa nova idéia, a abolir ou reestruturar a família e proteger a propagação da pornografia.

O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Algumas pessoas ainda insistem em dizer que não existe questão moral nenhuma envolvida no suicídio assistido, na clonagem humana e na destruição de embriões humanos em nome da pesquisa de células-tronco. O assassinato e a mentira passaram a ser aceitos como norma. Essa falência moral ameaça as próprias bases da nossa sociedade.

A Negação da Verdade Objetiva e de Seus Padrões

A negação da revelação divina da verdade resultou na conclusão de que não existe uma verdade objetiva que seja válida para toda a humanidade. Cada indivíduo seria capaz de determinar por si mesmo o que é a verdade. Assim sendo, aquilo que é verdade para uma pessoa não é, necessariamente, verdadeiro para outra. A verdade passou a ser algo subjetivo e relativo.

A racionalização nos levou à conclusão de que não há padrão objetivo pelo qual uma pessoa seja capaz de avaliar se algo está certo ou errado. Agora ninguém mais pode dizer legitimamente a outra pessoa que algo que ela está fazendo é errado. Seguindo essa racionalização, nunca se deve dizer a outra pessoa que seu modo de vida é errado, mesmo que, vivendo dessa maneira, ela possa morrer prematuramente. Também não será permitido que alguém diga a um adolescente que o sexo não deve ser praticado antes do casamento. Afinal de contas, ninguém tem o direito de impor seus conceitos de certo ou errado sobre os outros.

Satanás ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher o vazio espiritual e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele.

Essa negação da verdade objetiva e do padrão objetivo de certo e errado é propagada através de uma “redefinição de valores” promovida por escolas, por universidades, pela mídia, pela internet, por várias publicações, por alguns tipos de música e pela indústria do entretenimento como um todo. Algumas universidades, inclusive, já adotaram uma política que abafa qualquer expressão do que é certo ou errado por parte de seus alunos e professores. Esse tipo de atitude resulta em censura e intolerância.

A negação da verdade objetiva e dos padrões objetivos de certo e errado motivaram alguns a defenderem que os pais devem ser proibidos de bater nos filhos quando estes fizerem algo que os pais acreditam ser errado.

A Redefinição da Tolerância

Isso tudo também resultou em um movimento que visa forçar a sociedade a aceitar um novo conceito de tolerância. A visão histórica da tolerância ensinava que as pessoas de opiniões e práticas diferentes deveriam viver juntas pacificamente. Cada indivíduo tinha o direito de acreditar que a opinião ou prática contrária à sua estava errada e podia expressar essa crença abertamente, mas não podia ameaçar, aterrorizar ou agredir fisicamente aqueles que discordavam dele.

Porém, a tolerância passou por uma redefinição. O novo conceito diz que acreditar ou expressar abertamente que uma opinião ou prática de uma pessoa ou de um grupo é errada equivale a um “crime de ódio” e, portanto, deve ser punido pela lei. Grupos poderosos estão pressionando o Congresso americano, por exemplo, para fazer com que esse novo conceito torne-se lei. Isso ocorrerá se for aprovado o que passou a ser conhecido como “lei anti-ódio”. Uma vez que nos EUA já existem leis contra ameaças ou prejuízos físicos causados a pessoas ou grupos de opiniões e práticas distintas, é óbvio que o objetivo desse projeto é tornar ilegal a liberdade de crença e de expressão. Se esse projeto for aprovado, os EUA passarão a ser mais um Estado totalitário, comparado àqueles que adotaram a Inquisição e o comunismo. [Tendências semelhantes se verificam na maior parte dos países ocidentais – N.R.]

Já que o mundo foi levado a acreditar que não há verdade objetiva válida para toda a humanidade e nenhum padrão objetivo que sirva para verificar se algo está certo ou errado, cada vez mais defende-se a idéia de que todos os deuses, religiões e caminhos devem ser aceitos com igualdade. Por isso, todas as tentativas de converter pessoas de uma religião para outra devem ser impedidas e as afirmações de que existe apenas um Deus verdadeiro, uma religião verdadeira e um único caminho para o céu são consideradas formas visíveis de preconceito. O pluralismo religioso está se tornando lugar-comum hoje em dia.

Se não há nenhum padrão objetivo para determinar o certo e o errado, então qual base uma sociedade ou um indivíduo pode usar para concluir que matar é errado? Isso incluiu os assassinatos praticados por médicos que fazem abortos ou os massacres provocados por psicopatas em escolas e em lugares públicos? Pois, talvez alguns desses atos violentos sejam resultantes do fato de seus autores terem concluído que, se não existe um padrão objetivo para determinar o que é certo e o que é errado, para eles é correto assassinar.

Se essa espécie de lei anti-ódio for aprovada, ela terá conseqüências drásticas. As pessoas que virem esse tipo de lei sendo posta em prática acreditarão que esse é o caminho correto. Mas, durante as campanhas eleitorais e nas sessões legislativas, os políticos poderão fazer acusações uns aos outros ou dizer que as ações dos seus oponentes são erradas?

O Desejo de Unidade

A negação da revelação divina da verdade gerou uma crescente convicção de que o objetivo da humanidade deve ser a unidade. O Manifesto Humanista II diz:

Não temos evidências suficientes para acreditar na existência do sobrenatural. Trata-se de algo insignificante ou irrelevante para a questão da sobrevivência e satisfação da raça humana. Por sermos não-teístas, partimos dos seres humanos, não de Deus, da natureza, não de alguma deidade.[1]

O argumento prossegue:

Não somos capazes de descobrir propósito ou providência divina para a espécie humana... Os humanos são responsáveis pelo que somos hoje e pelo que viermos a ser. Nenhuma deidade irá nos salvar; devemos salvar a nós mesmos.[2]

À luz do pensamento de que a salvação da destruição total depende da própria humanidade, o Manifesto continua:

Repudiamos a divisão da humanidade por razões nacionalistas. Alcançamos um ponto na história da humanidade onde a melhor opção é transcender os limites da soberania nacional e andar em direção à edificação de uma comunidade mundial na qual todos os setores da família humana poderão participar. Por isso, aguardamos pelo desenvolvimento de um sistema de lei e ordem mundial baseado em um governo federal transnacional.[3]

Finalmente, o documento declara:

O compromisso com toda a humanidade é o maior compromisso de que somos capazes. Ele transcende as fidelidades parciais à Igreja, ao Estado, aos partidos políticos, a classes ou raças, na conquista de uma visão mais ampla da potencialidade humana. Que desafio maior há para a humanidade do que cada pessoa tornar-se, no ideal como também na prática, um cidadão de uma comunidade mundial?[4]

O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países.

A existência de instituições internacionais, como a Corte Internacional de Justiça e as Nações Unidas, os meios de transporte rápidos, a comunicação instantânea e a internacionalização crescente da economia fazem com que a formação de uma comunidade mundial unificada pareça ser possível. O tremendo aumento da violência, incluindo a ameaça de terrorismo que paira sobre todo o mundo, pode levar a civilização a uma governo mundial unificado em nome da sobrevivência.

A Deificação da Humanidade

A negação da revelação divina da verdade criou uma tendência em deificar-se a humanidade. Thomas J. J. Altizer, um dos teólogos protestantes do movimento “Deus está morto” da década de 60, alegava que, uma vez que a humanidade negou a existência de um Deus pessoal, ela deve alcançar sua auto-transcendência como raça, algo que ele chamava de “deificação do homem”.[5] O erudito católico Pierre Theilhard de Chardin ensinava que o deus que deve ser adorado é aquele que resultará da evolução da raça humana.[6]

Com tais mudanças iniciadas com a negação da revelação divina, Satanás está seduzindo o mundo para que caminhe em direção à unificação da humanidade. Ela ocorrerá quando todos estiverem sob um governo mundial único que condicionará o planeta a aceitar seu líder político máximo, o Anticristo, o qual terá poderes únicos e alegará ser o próprio Deus. (Renald E. Showers - Israel My Glory - http://www.chamada.com.br)

domingo, 16 de agosto de 2009

O Valor da Profecía


Desconhecimento Profético

Até algum tempo atrás, a melhor descrição da minha postura a respeito de profecias seria a de uma atitude mista. Eu tinha interesse por aquelas profecias diretas e fáceis de entender, mas muitas outras, para minha mente desinformada, pareciam algo beirando o enigmático. Também havia o meu preconceito contra os ensinamentos de alguns “ministérios proféticos” que partem de uma plataforma bíblica mas quase sempre descambam emespeculação.

Por um lado, eu estava ciente de que aproximadamente 30% da Bíblia são profecias preditivas, e que elas certamente foram incluídas nas Escrituras por razões válidas. Portanto, empenhei-me em descobrir quais eram essas razões.

Quase todas as profecias preditivas falam sobre Israel e a vinda do Messias. De fato, Deus declara aos israelitas que eles seriam um sinal para o mundo.

O Significado da Profecia

Então, o que aprendi? Vamos começar com as coisas fundamentais. A Profecia tem dois significados bíblicos. O termo se refere, em uma definição mais abrangente, a tudo que Deus tem a dizer para Suas criaturas racionais.A Bíblia, portanto, como revelação específica de Deus à humanidade, é um livro completamente profético (2 Pe 1.19-21). Trata-se daproclamação de Deus acerca das coisas que não poderíamos saber de outra maneira. A Profecia também inclui a predição de Deus, ou seja, as revelações que nos permitem saber o que vai acontecer. A habilidade de prever o futuro, como dissemos, diz respeito a quase um terço das Escrituras, e é declarada por Deus como sendo a maior prova de que somente Ele é Deus: “...Eu sou Deus e não há outro; Eu sou Deus e não há outro semelhante a mim, que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam...” (Is 46.9-10).

Quase todas as profecias preditivas falam sobre Israel e a vinda do Messias. De fato, Deus declara aos israelitas que eles seriam um sinalpara o mundo, glorificando-se a Si mesmo neles e através deles (Is 46.13). Em Isaías 43.10 Deus lhes diz: “Vós sois as minhas testemunhas... o meu servo a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que sou eu mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.” Em outras palavras, Deus usará aos judeus e à sua terra como “testemunhas”, tanto para eles mesmos quanto para o mundo. Isso se dá não somente quanto à Sua existência, como também mostrando que Ele está ativamente envolvido em desenvolver a história de Israel e a cumprir Seu propósito para toda a humanidade. A Profecia declara o plano de Deus de antemão. E o propósito é que nós todos possamos “conhecê-lO”, crer nEle e “entender” que somente Ele é Deus. A Profecia é a prova convincente não apenas da existência de Deus, mas também de que a Bíblia é exatamente o que diz ser – a Palavra de Deus.

Profecia, Promessa e Obediência

Aqui está um exemplo do testemunho profético de Deus através de Israel: Ele declarou a Abraão (Gn 12.1; 15.18), a Isaque (Gn 26.3), e posteriormente a Jacó (Gn 28.13) que lhes daria a terra “desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates” (Gn 15.18), e que essa Terra Prometida seria deles e dos seus descendentes para sempre (Js 14.9). É um fato histórico, como registra o livro de Josué, que os israelitas possuíram a terra que Deus lhes prometera. A promessa de Deus era irrevogável, contudo, eles foram avisados por Deus de que, se não Lhe obedecessem, Ele os tiraria da terra por algum tempo: os israelitas desobedientes seriam “desarraigados da terra à qual passais para possuí-la” (Dt 28.63). O povo foi desobediente e Deus fez o que dissera – resultando no cativeiro do Reino do Norte (Israel) na Assíria e no cativeiro do Reino do Sul (Judá) na Babilônia.

Jeremias profetizou que os cativos retornariam da Babilônia para Jerusalém“quando se cumprirem os setenta anos” (Jr 25.12). Mesmo assim, uma dispersão dos judeus ainda mais devastadora foi anunciada: “O Senhor vos espalhará entre todos os povos, de uma à outra extremidade da terra...” (Dt 28.64). Esta, a última e maior Diáspora (Dispersão), ocorreu quando os exércitos romanos sob o comando de Tito arrasaram Jerusalém no ano 70 d.C. Os judeus foram realmente dispersos por todo o mundo, como a Bíblia predisse, e a Palavra de Deus também nos fornece detalhes de como eles seriam tratados: “...fá-los-ei um espetáculo horrendo para todos os reinos da terra; e os porei por objeto de espanto, e de assobio, e de opróbrio entre todas as nações para onde os tiver arrojado” (Jr 29.18). Hoje isso é conhecido como anti-semitismo, no entanto, foi profetizado por Moisés (Dt 28.37) há 3.500 anos atrás!

O Cumprimento das Profecias

Poderia parecer que essa dispersão, juntamente com as perseguições e as tentativas de aniquilação da raça judaica que a acompanharam, teria colocado Deus numa situação insustentável. Afinal de contas, Ele prometeu incondicionalmente a Abraão que a Terra Prometida “...que vês, Eu ta darei a ti e à tua descendência, para sempre” (Gn 13.15). O Senhor declarou também que apesar de Israel não ficar sem punição, Ele não daria cabo dele completamente, mas ...“te livrarei das terras de longe e à tua descendência das terras do exílio; Jacó [Israel] voltará...” (Jr 30.10-11).

O fato de que uma minoria perseguida e dispersa possa ter vivido por dois mil anos entre outras raças sem ter sido absorvida por elas (especialmente quando, se o aceitasse, teria evitado uma perseguição sem fim) e permanecido um grupo étnico identificável, é inconcebível – certamente isso não foi por acaso e é algo sem precedente na história do mundo. Adicione-se a isso o fato assombroso de que eles seriam posteriormente ajuntados do mundo todo e trazidos de volta para a terra que Deus lhes havia prometido há mais de três mil anos atrás. Contudo, como o mundo sabe, isso aconteceu “oficialmente” em 1948, quando Israel foi reconhecido como nação independente.

O Retorno de Israel à Terra Prometida



Desde o retorno dos judeus a agricultura tem sido um dos maiores empreendimentos econômicos de Israel. Esse país tão pequeno é agora o maior exportador de frutas e vegetais para a Europa e até manda flores para a Holanda!

Com relação a essa restauração profetizada, a Bíblia fornece numerosos detalhes do que aconteceria quando os judeus retornassem à sua terra. Por exemplo, o livro de Isaías afirma:“Dias virão em que Jacó lançará raízes, florescerá e brotará Israel, e encherão de fruto o mundo” (Is 27.6).Oséias acrescenta que os israelitas retornarão:“...voltarão; serão vivificados como o cereal, e florescerão como a vide; a sua fama será como a do vinho do Líbano” (Os 14.7). No final do século XIX, o escritor norte-americano Mark Twain, visitando a Terra Santa, notou que ela estava quase que totalmente deserta. No entanto, desde o retorno dos judeus a agricultura tem sido um dos maiores empreendimentos econômicos de Israel. Esse país tão pequeno é agora o maior exportador de frutas e vegetais para a Europa e até manda flores para a Holanda!

O Senhor dos Exércitos Guerreia por Israel

Os profetas hebreus também previram que Israel teria uma capacidade militar impressionante: “Naquele dia, porei os chefes de Judá como um braseiro ardente debaixo da lenha e como uma tocha entre a palha; eles devorarão à direita e à esquerda, a todos os povos em redor... Naquele dia o Senhor protegerá os habitantes de Jerusalém; e o mais fraco dentre eles, naquele dia, será como Davi, e a casa de Davi será como Deus, como o Anjo do Senhor diante deles” (Zc 12.6,8). Até uma análise superficial das três guerras nas quais Israel lutou para se defender da ameaça de destruição por parte dos países árabes, mostrará evidências esmagadoras de que elas são o cumprimento das palavras dadas por Deus a Zacarias. Na guerra de 1948-49, que se seguiu à Independência, Israel foi vitorioso apesar de ter um contingente de soldados e armas desesperadamente menor. A assombrosa vitória de Israel, portanto, foi nada menos do que um milagre. A Guerra dos Seis Dias, em 1967, foi ganha tão rápida e decisivamente por Israel, contra todas as probabilidades, que a revista “Newsweek” publicou a respeito um artigo intitulado “Espada Veloz e Terrível”. A Guerra do Yom Kippur encontrou Israel novamente com um número muito inferior de soldados, e, dessa vez, pelo fato do ataque ter ocorrido num feriado religioso, o povo foi pego de surpresa. No entanto, apesar de terem sofrido muitas baixas, esses beneficiários das promessas de Deus puseram as forças árabes para correr.

Uma Pedra Pesada Para Todos os Povos

Um último item profético com respeito a Israel e Jerusalém (entre muitos que poderiam ser mencionados) tem relação com sua posição no mundo de hoje. Cerca de 480 a.C., Zacarias escreveu que Jerusalém se tornaria“...um cálice de tontear... uma pedra pesada para todos os povos...” (Zc 12.2-3). Essa profecia foi particularmente assombrosa porque, no tempo em que foi feita, a situação de Jerusalém era tal que, na melhor das hipóteses, a faria parecer ridícula. Uma parte dos israelitas tinha recentemente retornado do cativeiro na Babilônia, para uma Jerusalém que tinha estado em desolação por 70 anos. Seus muros estavam destruídos, seus campos não tinham sido lavrados, e o povo remanescente enfrentava problemas até na reconstrução do Templo, porque não conseguia se livrar do assédio contínuo dos samaritanos da região. Contudo, aproximadamente 2.500 anos mais tarde, Jerusalém realmente tem se tornado “um cálice de tontear” para este mundo aflito, “uma pedra pesada” que, a menos que os problemas ali sejam resolvidos, poderá levar a uma guerra nuclear sobre todo o planeta.

Cerca de 480 a.C., Zacarias escreveu que Jerusalém se tornaria “...um cálice de tontear... uma pedra pesada para todos os povos...” (Zc 12.2-3), e aproximadamente 2.500 anos mais tarde, Jerusalém realmente tem se tornado “um cálice de tontear” para este mundo aflito, “uma pedra pesada” que, a menos que os problemas ali sejam resolvidos, poderá levar a uma guerra nuclear sobre todo o planeta.

A Profecia e a Salvação

Deus é o Deus da Profecia. Ele é também o Deus da nossa salvação; e a Profecia sublinha e aponta para a salvação. Israel foi escolhido por Deus para o propósito primário de trazer o Messias ao mundo: ...“para que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3.17). Quando o apóstolo Paulo fez as suas viagens missionárias, seu método em cada cidade que visitava era inicialmente entrar na sinagoga judaica e pregar que Jesus era o Messias que Deus havia prometido. Na sinagoga da cidade grega de Beréia, os judeus foram elogiados não somente por ouvirem o que o apóstolo tinha a dizer, mas mais especificamente porque examinavam “...as Escrituras todos os dias[para discernir] se as coisas [que ele dizia concernentes ao Messias]eram, de fato, assim” (Atos 17.11). Apesar de não termos os detalhes do que ele pregava, sabemos que há centenas de profecias messiânicas às quais ele poderia ter-se referido.

As Profecias Concernentes ao Messias

Sem dúvida, Paulo enumerou para eles os critérios proféticos necessáriospara que aspirantes à messianidade se qualificassem como o Cristo de Deus, o Salvador de toda a humanidade: Ele deve ter nascido em Belém (Mq 5.2); ser da tribo de Judá (Gn 49.10); ser da linhagem do rei Davi (Is 11.1); ter nascido de uma virgem (Is 7.14); realizar milagres (Is 35.4-6); morrer pelos pecados do mundo (Is 53.5,6,10); permanecer três dias e três noites na sepultura (Jo 1.17); ressuscitar dentre os mortos (Sl 6.10).

Israel foi escolhido por Deus para o propósito primário de trazer o Messias ao mundo: ...“para que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3.17).

Somente Jesus Preenche Todos Esses Requisitos

Para os bereanos do primeiro século, desejosos de mais informações sobre a morte sacrificial do Messias, Paulo poderia ter fornecido tantos detalhes descritivos tirados das profecias do Antigo Testamento (escritas de 1500 a 400 anos antes do acontecido), que eles teriam se sentido como se fossem testemunhas oculares dos fatos. Considere o seguinte: Daniel nos dá a data exata em que o Messias entraria em Jerusalém para ser proclamado Rei de Israel (Dn 9.25). Zacarias nos conta que Ele viria montado num jumento (Zc 9.9) e que seria traído por trinta moedas de prata (Zc 11.12); o traidor seria um amigo (Sl 41.9). Isaías prediz que Ele ficaria silencioso perante Seus acusadores e seria afligido e cuspido por eles (Is 53.7; 50.6). Moisés indicou que Ele seria crucificado (Dt 21.22-23). O salmista nos fala que a multidão presente à Sua crucificação iria escarnecer e zombar dEle, sacudindo suas cabeças à Sua vista (Sl 22:7-8; 109.25); que Seus amigos olhariam de longe (Sl 38.11); que soldados lançariam a sorte pelas roupas dEle (Sl 22.16-18); que para matar Sua sede Lhe ofereceriam vinagre (Sl 69.21); Suas mãos e pés seriam traspassados (Sl 22.16); nenhum de Seus ossos seria quebrado (Sl 34.20); as palavras exatas que Ele diria ao Pai são registradas (Sl 22.1; 31.5). Zacarias escreve que o Seu lado seria furado (Zc 12.10). Isaías declara que Ele morreria entre ladrões (Is 53.9,12) e que seria sepultado na sepultura de um homem rico (Is 53.9). Além disso, Isaías nos dá as razões pelas quais o Filho de Deus foi para a cruz: Ele foi“...ferido pelas nossas iniqüidades”; “...o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós”; “quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado...” (Is 53.5,6,10). Repetindo: só Jesus tem as credenciais para ser o nosso Salvador.

O que dizer, então, de todas as profecias ainda a serem cumpridas? Como aquilo que estava predito com relação à primeira vinda de Jesus foiperfeitamente cumprido, podemos estar absolutamente confiantes de que Deus também fará acontecer tudo o que predisse para o futuro.

A Importância das Profecias Bíblicas

Portanto, que utilidade há na Profecia? Emprestando uma frase da Epístola aos Romanos: “Muita, sob todos os aspectos” (Rm 3.2). O Senhor declara: “Quem há, como eu, feito predições... Que o declare e o exponha perante mim! Que esse anuncie as coisas futuras, as coisas que hão de vir! Não vos assombreis nem temais; acaso desde aquele tempo não vo-lo fiz ouvir, não vo-lo anunciei? Vós sois as minhas testemunhas...” (Is 44-7-8). A Profecia Bíblica nos assegura que Deus existe e que somente Ele sabe as “coisas que estão por vir”, e que nós, que cremos nEle, não temos razão para andar temerosos. Mais do que isso, nós devemos ser as “testemunhas” de Deus, usando a profecia bíblica como testemunho da verdade revelada nas Escrituras e prova de que exclusivamente a fé em Jesus, Seu Filho Unigênito, é a esperança da humanidade para a salvação. Vamos, portanto, compartilhar as Boas Novas com entusiasmo: “...o Evangelho de Deus, o qual foi por Deus, outrora, prometido por intermédio dos seus profetas nas Escrituras Sagradas, com respeito a Seu Filho” (Rm 1.1-3)! (T.A. MacMahon - TBC 11/01 - http://www.chamada.com.br)

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, Fevereiro de 2002.