Paul Smith, irmão do pastor Chuck Smith, da conhecida igreja Calvary
Chapel [Capela do Calvário], escreveu um novo e importante livro: New
Evangelicalism: The New World Order(Novo Evangelicalismo: A Nova Ordem
Mundial).[1] Nesse livro, Smith identifica os ardis que ameaçam destruir a
eficiência da crença na Bíblia, na pregação do Evangelho, nas igrejas que
ensinam a Bíblia, como aquelas do próprio grupo da Calvary Chapel. O livro
traça as raízes dos perigos dos últimos duzentos anos que estão à espreita no
horizonte e ameaçam as igrejas bíblicas nos dias atuais, demonstrando como
tantos evangélicos já tomaram de seu veneno.
Smith não expõe apenas o problema, que é o abandono da inerrância das
Escrituras, mas mostra também qual é a solução e como ela pode reavivar nossas
igrejas evangélicas.
Origens do Problema
Peter Drucker, o guru da administração, é identificado como o
personagem-chave que influenciou o surgimento do movimento do crescimento de igrejas
no Seminário Fuller, que levou a tantas influências contrárias ao Evangelho
dentro do evangelicalismo. Smith demonstra historicamente que a filosofia
existencial de Soren Kierkegaard influenciou Drucker, levando-o à sua teoria
pragmática e abordagem comunitária e ao papel da igreja em sua comunidade
ideal. Karl Barth, o famoso teólogo suíço neo-ortodoxo, também sorveu
profundamente das idéias de Kierkegaard, e, por sua vez, cativou Daniel Fuller,
o filho de Charles Fuller, que fundou o Seminário Fuller em 1947.
Embora o Seminário Fuller, em Pasadena, no estado da Califórnia, Estados
Unidos, tenha começado bem, lá pelos anos 1960 tinha abandonado a inerrância e
começado sua descida pela ladeira escorregadia rumo ao liberalismo moderno.
Smith observa que Harold Lindsell, antigo membro do corpo docente do Fuller,
documentou o abandono da inerrância em seu famoso livro The Battle for
the Bible (A Batalha Pela Bíblia), em 1976.[2] Smith fornece detalhes
muito mais abrangentes dos acontecimentos de bastidores nos âmbitos filosófico
e histórico, que levaram à rápida queda teológica do Seminário Fuller. Eles
estabelecem o cenário para os motivos porque aquela escola tem estado no
epicentro de muitas das influências que contaminaram o evangelicalismo nas
últimas três décadas.
Peter Drucker, o
guru da administração, é identificado como o personagem-chave que influenciou o
surgimento do movimento do crescimento de igrejas no Seminário Fuller, que
levou a tantas influências contrárias ao Evangelho dentro do evangelicalismo.
No cerne do livro de Smith está sua crença, com a qual concordo, na
noção de que o rebaixamento bíblico, ou seja, a apostasia, começa com um
afastamento da crença na doutrina da inerrância [da Bíblia]. Isso geralmente
acontece dentro das instituições acadêmicas, que supostamente existem para
treinar a próxima geração de líderes que darão apoio à igreja. Em vez disso,
essas instituições destroem a confiança na Palavra de Deus, que a próxima
geração de líderes necessitará para nutrir e fazer expandir a igreja.
O livro tem um excelente capítulo denominado “How Historical Drift
Happens” [Como Acontece a Deriva Histórica]. Nesse capítulo, Smith explica como
a maneira de pensar do mundo passa a dominar a igreja. Basicamente, isso começa
com a negação da inerrância, o que significa que há uma perda de confiança na
Palavra de Deus como a autoridade máxima para o homem. Assim, uma dada igreja
fica aberta aos pensamentos dos homens como se estes tivessem a mesma
autoridade da Bíblia. O próximo passo é trazer coisas como a sociologia, o
marketing e a psicologia para dentro da igreja para fornecer uma base à
filosofia de ministério, que é o que tem sido feito pelo Movimento de
Crescimento da Igreja.
Um testemunho surpreendente sobre o declínio do Fuller é fornecido por
Smith – o relato do então aluno Wayne Grudem, em 1971, que hoje é um conhecido
teólogo evangélico:
Enquanto eu ainda
estava fazendo curso de graduação na Universidade Harvard, ouvi advertências de
que o Seminário Fuller estava comprometendo seriamente a verdade da Palavra de
Deus. Embora essas advertências viessem de fontes respeitáveis como Francis
Schaeffer, John Montgomery e daChristianity Today [Cristianismo
Hoje], não acreditei nelas. Agora acredito!
Nenhum dos meus
cursos [no Fuller] reforçou minha confiança na Bíblia. Ainda mais desoladora é
a estreiteza mental: não tive nenhum professor que ensinasse a inerrância
bíblica, nem mesmo como uma opção possível. Os alunos com quem converso não
possuem nenhum conhecimento das grandiosas defesas da inerrância feitas
recentemente por homens como E. J. Young, Ned Stonehouse, e Cornelius Van Til.
Estou preocupado
com o Seminário Fuller, mas não tenho nenhuma proposta de solução. As cartas
estão todas lançadas na direção de maiores concessões e comprometimentos. Os
docentes parecem pensar que detêm a única solução possível; os que pensavam de
forma diferente foram embora da escola. Mas, quanto a mim, quero um seminário
que faça de mim um ministro da Palavra de Deus, não um crítico. Não tenho
escolha, senão ir embora.[3]
O Movimento de
Crescimento da Igreja
Nos anos 1960, Daniel Fuller, filho do fundador, voltou da Suíça onde
havia estudado na Universidade de Basiléia e onde aderira à teologia liberal de
Karl Barth. Fuller trouxe aquela mentalidade para o Seminário de seu pai, o que
apressou o declínio da instituição. A data na qual o Seminário Fuller abandonou
oficialmente a inerrância é identificada como dezembro de 1962.[4] A degradação
do Seminário Fuller e seu baixo conceito sobre a Bíblia foram fatores que
levaram seus líderes a fundarem a Escola de Crescimento da Igreja, que
empregava princípios pragmáticos e freqüentemente humanistas.
Em 1971, C. Peter Wagner tornou-se professor de Crescimento da Igreja no
Fuller. A ênfase nas ciências sociais, não na Bíblia, era o enfoque de Wagner e
de outros influenciados pela “ciência” do crescimento da igreja. “A maneira de
muitos pastores fazerem suas igrejas crescer foi o uso de programas
sociais”,[5] observa Smith. Wagner associou-se a John Wimber para ministrar as
aulas de Sinais e Maravilhas místicos, que se tornaram muito populares entre os
alunos do Fuller. Rick Warren, da Igreja Saddleback, em Orange County,
Califórnia, obteve seu grau de Doutor em Ministérios na Escola do Crescimento
da Igreja e foi profundamente influenciado por seu pensamento. Combinado com
[as idéias de] seu mentor, o sociólogo incrédulo Peter Drucker, e as últimas do
Fuller, Warren foi adiante e se tornou o pastor mais influente da América.
Um Casamento
Profano
A partir do
Movimento de Crescimento da Igreja dos últimos quarenta anos, surgiu o próximo
empurrão pela ladeira escorregadia, para longe da ortodoxia, chamado Movimento
das Igrejas Emergentes.
“Rick Warren atribui o espetacular crescimento numérico de sua Igreja
Saddleback a seu modelo Com Propósitos, uma estratégia organizacional e de
marketing inspirada principalmente em Peter Drucker”,[6] diz Smith. O modelo de
Warren para crescimento da igreja é baseado na visão de Drucker sobre a
construção de uma comunidade social e não tem nada a ver com o Evangelho.
Embora Warren use a Bíblia, sua filosofia de ministério não é retirada da
Bíblia, mas derivada de teorias sociais humanísticas, como ele mesmo admite.
Isso explica por que Warren está engajado em um esforço global para promover o
socialismo em vez de um esforço global para pregar o Evangelho.
A partir do Movimento de Crescimento da Igreja dos últimos quarenta
anos, surgiu o próximo empurrão pela ladeira escorregadia, para longe da
ortodoxia, chamado Movimento das Igrejas Emergentes.
Warren e outros apoiaram esse movimento. No entanto, Paul Smith observa
que seu irmão rejeita totalmente o movimento e já divulgou um manifesto da
Calvary Chapel contra essa ameaça ao cristianismo bíblico. Chuck Smith é um
crítico do Movimento Emergente e lista algumas de suas objeções:
(1) Que Jesus não é
o único caminho através do qual os homens são salvos (...); (2) O pouco caso
dado ao inferno (...); (3) Temos dificuldade com a maneira cheia de
sentimentalismos com que eles se relacionam com Deus (...); (4) Temos problemas
com o uso de ícones para dar-lhes um sentido de Deus ou da presença de Deus
(...); (5) Não acreditamos que se deva buscar fazer com que os pecadores se
sintam seguros e confortáveis na igreja (...); (6) Será que deveríamos tolerar
o que Deus condenou, como, por exemplo, o estilo de vida homossexual? (...);
(7) Será que deveríamos buscar nas religiões orientais suas práticas de
meditação através da yoga? (...); (8) Eles desafiam a autoridade final das
Escrituras (...).
O pastor Chuck termina sua carta com o seguinte comentário: “Há os que
dizem que o Movimento Emergente tem alguns pontos positivos, mas o
porco-espinho também os tem. É melhor não chegar muito perto!”.[7]
Conclusão
Paul Smith acredita que a ladeira escorregadia na qual tantos
evangélicos se encontram está estabelecendo o palco para o globalismo e a Nova
Ordem Mundial, que introduzirá o Anticristo logo que a Igreja verdadeira tiver
deixado o planeta Terra por meio do Arrebatamento. Não há nenhuma dúvida em
minha mente de que Smith está coberto de razão. A forma final da apostasia
dentro da igreja falsa será alguma forma de misticismo, que é exatamente para
onde a igreja evangélica está rumando firmemente. Tudo parece estar caminhando
em direção ao globalismo – nos âmbitos social, econômico, político e religioso.
Smith observa que até mesmo Rick Warren promove um plano global,
denominado PEACE [PAZ]. O plano é: Promover a Reconciliação; Equipar
Líderes Servos; Dar Assistência aos Pobres; Cuidar dos
Enfermos; e Educar a Próxima Geração.[8] Há dois verbos que começam
com a letra E no plano PEACE de Warren, mas nenhum deles
significa “evangelizar” porque o Evangelho está totalmente fora desse plano.
Em seu livro, Smith não apenas ataca as trevas; em todo o seu texto ele
diz aos crentes o que devemos crer e fazer em contraste com o Novo
Evangelicalismo. Smith observa como o movimento do qual ele fez parte por mais
de quarenta anos – as igrejas da Calvary Chapel – foi edificado, não nos
princípios do crescimento da igreja nem no planejamento de homens, mas com base
na simples pregação e no ensino da Palavra de Deus e de Seu Evangelho,
confiando no Espírito Santo para imprimir aquela Palavra ao coração dos homens,
fossem eles crentes ou incrédulos. Quando a Palavra de Deus é proclamada,
afirma Smith, o Senhor edifica Sua Igreja.
Francamente, o impacto global do movimento da Calvary Chapel pela causa
de Cristo (com milhares de igrejas implantadas em todo o mundo) é provavelmente
maior que qualquer outra denominação ou movimento de que eu tenha notícia. Este
não foi o produto de planejamento humano, mas o resultado da pregação da
Palavra inerrante de Deus, confiando que o Espírito Santo abre o coração das
pessoas. Maranata! (Thomas Ice - Pre-Trib Perspectives - http://www.chamada.com.br
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